sexta-feira, 29 de junho de 2012

ENTREVISTA: NA CONTRAMÃO DO SETOR MRV QUER DOBRAR DE TAMANHO ATÉ 2015


Por Vivian Pereira e Brad Haynes

BELO HORIZONTE, 29 Jun (Reuters) - Desafiando a atual conjuntura do setor imobiliário, que em 2011 começou a dar indícios de desaceleração, a MRV Engenharia tem como meta quase dobrar de tamanho em termos de imóveis construídos até 2015, algo que, em um cenário mais otimista, pode acontecer antes.

Na defesa de que a combinação entre aumento de renda da população e mais crédito disponível ainda compõe o principal fundamento do setor, o presidente-executivo e fundador da construtora e incorporadora, Rubens Menin, vê como "fácil" o desafio de alcançar 70 mil unidades construídas em três anos ou menos.

"No início fazíamos 2 mil (unidades) por ano. Hoje estamos em 114 cidades, principalmente médias, onde não temos concorrência nenhuma; estamos mais consistentes", disse ele à Reuters, na quinta-feira. No ano passado, a empresa mineira atingiu cerca de 40 mil imóveis construídos.

A estimativa, entretanto, vai na contramão das projeções feitas por representantes do próprio setor que, após o avanço desenfreado visto entre 2008 e 2010, apontam para certa estagnação do mercado imobiliário doméstico.

Somado a isso, o desempenho da MRV no ano passado também poderia levar a alguma descrença quanto à meta ambiciosa. Em 2011, os lançamentos da companhia praticamente ficaram inalterados sobre o ano anterior.

O executivo, entretanto, que se orgulha de acompanhar de perto cada um dos mais de 300 canteiros de obras que possui no país, admite que a empresa está preparada para acelerar o ritmo de lançamentos rumo à marca de 70 mil, tanto via aumento do tamanho médio dos canteiros quanto por meio do banco de terrenos estimado em 18 bilhões de reais.

"Temos espaço para crescer apoiado em renda e crédito... o financiamento imobiliário é muito competitivo aqui", afirmou. "Com esses fundamentos, podemos chegar aos 70 mil (imóveis) em período mais curto que o previsto."
Mas, apesar do otimismo -algo alimentado inclusive por analistas, que frequentemente citam a MRV como a exceção positiva do setor-, Menin é parte de um segmento que, nas suas próprias palavras, não está imune ao cenário de crise mundial que inevitavelmente respinga no Brasil.

"O cenário é sombrio para os próximos anos, mas os fundamentos do setor são tão bons que ainda assim a perspectiva é positiva", disse. "Mas 2012 é o ano de decréscimo das construtoras por incapacidade financeira de investir em crescimento."

PRESSÃO DE CUSTOS MENOR

Após ter os resultados do primeiro trimestre afetados por uma maior pressão de custos, o que ocasionou margem bruta menor, a MRV caminha para a conclusão da primeira metade do ano de forma equilibrada.

Segundo o vice-presidente financeiro da empresa, Leonardo Corrêa, embora ainda esteja lidando com tal pressão, esta vem sendo cada vez menor, resultado, entre outras medidas, do reajuste de preços das unidades para cima e do ganho de produtividade nos canteiros.

"Os preços ainda estão dentro do nível normal... no restante do ano ficarão em linha com o INCC (Índice Nacional da Construção Civil)", disse Corrêa, se referindo ao aumento de preços maior praticado no primeiro trimestre para compensar os custos.

Nesse sentido, Menin garante que "o primeiro semestre funcionou exatamente como planejado", indicando que o segundo trimestre tende a compensar o desempenho do período anterior. "Ajustes sazonais de custos vão acontecer sempre, mas essa não é a tendência."

Ainda no quesito de preços, o executivo assinalou a necessidade de o governo ajustar o valor teto dos imóveis dentro do programa "Minha Casa, Minha Vida", fixado em 170 mil reais, uma crítica constante de agentes do setor.

"O programa precisa ser oxigenado porque esse teto atrapalha... acredito que o governo faça os acertos no curto prazo", disse Menin, lembrando que o atual valor teve impacto no desempenho de vendas da companhia, uma das mais atuantes no programa, no primeiro trimestre.

"Mesmo que o governo não faça os ajustes, vamos atingir o piso de 4,5 bilhões de reais em vendas este ano". A MRV estima vendas contratadas entre 4,5 bilhões e 5,5 bilhões de reais no fechado de 2012.

Fonte: Negócios - Reuters

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